Primeiro episódio do programa Vozes do Rio Negro responde dúvidas de parentes da região, no Amazonas, sobre documentação, justificativa de voto, segurança das urnas e outros temas do processo eleitoral
A Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas do Rio Negro estreou, nesta quinta-feira (01/10), um novo formato de produção: o vodcast. O primeiro episódio é dedicado às eleições de 2026 e reúne especialistas em direito eleitoral para responder dúvidas enviadas por indígenas de diferentes regiões do território.
Apresentado pelas comunicadoras Nayra Sthefany, do povo Baniwa, e Lilian Batista, do povo Yanomami, o episódio recebe o juiz Manoel Átila Araripe Autran Nunes, titular da 19ª Zona Eleitoral de São Gabriel da Cachoeira (AM), e o advogado eleitoral Tales Bernal Bornia.
Os convidados responderam a perguntas encaminhadas por comunicadores correspondentes, baseados em comunidades nas cinco coordenadorias regionais da Federação das Organizações Índígenas do Rio Negro (Foirn). Documentação necessária para votar, justificativa de voto, segurança das urnas e outras questões relacionadas ao processo eleitoral estão entre os temas abordados.
O episódio já está disponível no canal da Rede Wayuri no YouTube.
Um novo formato, uma longa história
O nome Vozes do Rio Negro carrega uma história que atravessa diferentes momentos da comunicação do movimento indígena na região. Claudia Ferraz, comunicadora do povo Wanano e coordenadora da Rede Wayuri, relembra que, nos anos 1990, a Foirn mantinha um programa com esse nome na Rádio Municipal AM, em São Gabriel da Cachoeira, que já naquela época se propunha a levar informações sobre o movimento indígena às comunidades, com a participação de lideranças, diretores e coordenadores da Federação.
O programa também faz parte da memória afetiva de Claudia, que cresceu ouvindo junto com os pais. “Era um programa de uma hora, se não me engano, ia das seis às sete da manhã. Lembro que meus pais sempre escutavam bem cedo”, recorda.
Para ela, resgatar esse nome é também reencontrar uma parte da história da comunicação indígena no Rio Negro. “Eu acredito que foi um dos primeiros programas de rádio que dava essa abertura para os povos indígenas do Rio Negro, feito pela Federação, e agora está sendo resgatado pelos jovens comunicadores da Rede Wayuri, por uma nova geração, através das plataformas digitais”, finalizou.
A iniciativa começou a ser desenvolvida durante a Oficina de Estruturação de Conteúdo Jornalístico e Produção de Vodcast, realizada em agosto, com a participação de 15 comunicadores indígenas. O formato combina a linguagem do rádio com a imagem.
Facilitada pela equipe de apresentadores da Rádio Nacional dos Povos (RNP) Yago Kaingang, Nathalia Purificação e Juliana Albuquerque – que já integrou o time de apresentadores da rede – a oficina abordou temas como comunicação indígena e comunitária, estrutura da notícia, apuração, identificação de fontes, técnicas de entrevista, construção de roteiro e produção audiovisual com recursos simples. Os participantes também experimentaram o formato na prática, produzindo conteúdos e discutindo possibilidades de uso do vodcast para abordar temas de interesse das comunidades.
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Entre as pautas levantadas estão mudanças climáticas, território, políticas públicas, cultura, educação, saúde e eleições, em diálogo com o planejamento editorial da Rede Wayuri para 2026. A atividade também reforçou a importância da apuração, da escuta e da diversidade de fontes para a produção de conteúdos jornalísticos mais completos.
Estas ações integram o projeto “Vozes indígenas por justiça climática, sociedades resilientes e uma transformação socioecológica justa e com equidade de gênero”, executado pelo Instituto Socioambiental (ISA), em parceria com a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e a Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas do Rio Negro, com apoio financeiro do Instituto para a Democracia, Mídia e Intercâmbio Cultural (IDEM) da Alemanha e da Fundação Gordon and Betty Moore.
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