Série criada pelo Instituto Socioambiental (ISA) reúne indicações de filmes, livros e músicas de referências da luta por direitos em seus territórios
Em consonância com o que evoca Gonzaguinha, nós também acreditamos na fé da moçada, que não foge da fera e enfrenta o leão. O trabalho das jovens lideranças e comunicadores integrantes de povos ou comunidades tradicionais é na linha de frente, repleto de desafios, mas também de muita esperança no futuro.
Esse porvir, pavimentado pelos mais velhos, é percorrido pelos mais jovens, sob olhares atentos e muita torcida. E em meio a tantas notícias, há que se ter ginja. Resistir não é apenas luta, pressão, gritos necessários ou mobilização. A cultura é também parte indispensável para renovar as energias e seguir.
Pensando nisso, o Instituto Socioambiental (ISA) lançou em abril a série “Dicas da Floresta”, com indicações dessas lideranças que acompanhamos de perto.
Confira as dicas já publicadas abaixo:
Aldison Lobo, do povo Mirity-tapuya e comunicador da Rede Wayuri, indica o álbum Newen, da artista Brisa Flow (@brisaflow), lançado em 2016 com sete faixas. Seu nome significa "Força" na língua do povo Mapuche e suas músicas passeiam por cantos ancestrais, rap e melodias eletrônicas. Segundo ele, “ouvir esse álbum é sentir potência e conexão com o território”.
Anaya Suya, do povo Suyá, é comunicadora na Associação Terra Indígena do Xingu (ATIX) e faz um convite para para sentir com intensidade e sem medo a partir da indicação da música “Exagerado”, do Cazuza. Para ela, a música a lembra de quem ela é e de onde vem, também pelo o que luta todos os dias.
Joelmir Silva, ribeirinho da Terra do Meio, no Xingu (PA), e comunicador da Rede Xingu+, indica o livro A Queda do Céu, de Davi Kopenawa e Bruce Albert. A obra da liderança, escrita em parceria com o antropólogo Bruce Albert, revela a cosmologia yanomami e a luta de um povo. Publicada em 2015 com apoio do ISA e da Hutukara Associação Yanomami foi eleita pela Folha de S. Paulo o melhor livro brasileiro de não ficção do século 21.
Nayra Sthefany, comunicadora do povo Baniwa e integrante da Rede Wayuri, indica "Apiga", da Banda Marupiara, que canta na língua nheengatu um som que mistura música indígena, forró e toadas amazônicas. Segundo ela, "é especial porque traz um sentimento de nostalgia, eu costumava ouvir quando era criança e fala sobre a vivência no Rio Negro". Assista abaixo:
Renan Khisetje, comunicador da Rede de Comunicadores Xingu + e da AIK Produções, indica Do Colo da Terra, que retrata a infância de quatro povos: Guarani Kaiowá, Guarani Nhandeva, Baniwa e Khisetje. Para ele, é uma obra importante pois ensina as crianças a conhecer a natureza e protegê-la. Dirigido por Renata Meirelles e David Vêluz, do Território do Brincar, o filme está disponível gratuitamente no Itaú Cultural Play.
Raimundo Quilombola, geógrafo e comunicador na Rádio TV Quilombo, do Território do Quilombo Rampa (MA), indica o documentário Tambor na Mata 2025. Como ele explica, “o Tambor na Mata é uma manifestação cultural e ancestral no território Rampa, que mostra a força da união e da resistência da comunidade.” A obra está disponível no canal do Youtube da TV Quilombo. Confira abaixo:
Auritha Tabajara, escritora, arte-educadora, poeta e cordelista indica o livro TYBYRA – Uma Tragédia Indígena Brasileira, do multiartista indígena Juão Nyn, do povo Potyguara. Para ela, é “uma obra que amplia o debate sobre as existências indígenas LGBTQIAPN+, trazendo representatividade, coragem e reflexão.”
Milene Alves, coordenadora de Produção de Sementes no Redário, articulação entre redes e grupos de coletores que atua em todos os biomas do país, sugere o filme Antes da Chuva (2018), produzido pela Rede Sementes do Xingu sobre as mudanças climáticas na região Xingu-Araguaia, no Mato Grosso. Hoje, Milene é (@redarioderedesdesementes). Assista abaixo:
Yamony, dos povos Yawalapiti e Kuikuro, também comunicadora do Movimento das Mulheres do Xingu e da Rede Xingu+, indica os cantos e músicas tradicionais dos povos do Xingu! Nas palavras dela "eles carregam nossa história, nossa espiritualidade e a força dos nossos ancestrais."
O professor e liderança quilombola Luiz Ketu, compartilhou a indicação do livro Roça é Vida, publicado em 2020. Além de apresentar aos leitores os modos de vida e saberes das comunidades quilombolas do Vale do Ribeira, o livro ajuda a preservá-los por meio da sua transmissão.
Maíra Silva, cientista do quilombo de Ivaporunduva (SP), é pesquisadora e doutora em geociências e indica o acervo da EAACONE (Equipe de Articulação e Assessoria às Comunidades Negras do Vale do Ribeira SP/PR) que conta a história da organização e das lutas das comunidades quilombolas do Vale do Ribeira por seus territórios durante mais de 40 anos.
A artista visual, poeta e liderança Solar Quilombola indica o livro Irmã Outsider, da escritora e ativista norte-americana Audre Lorde, publicado no Brasil em 2019. Audre Lorde (1932 - 1992) construiu uma longa trajetória na defesa dos direitos de mulheres negras lésbicas e sua obra é uma importante contribuição para as teorias feministas contemporâneas. Para Solar, a obra ajuda a entender a importância de reconhecer as trajetórias de mulheres lésbicas no movimento quilombola.
Diretamente de Taiobeiras, no norte de Minas Gerais, a coletora de sementes Edianilha Pereira Ribas (Nina), comunicadora e da agricultura familiar, traz na Dica da Floresta dessa semana a indicação do documentário Cacunda di Librina, filme realizado em 2007, que ajuda a entender o que significa ser geraizeiro e o que é ter uma conexão viva com o Cerrado. Veja o documentário abaixo:
Mylena Pereira, comunicadora do território Quilombola Alcântara, no Maranhão, e do coletivo de comunicação da Conaq indicou o livro Fortalecendo a Gestão Territorial e Ambiental Quilombola no Cerrado e na Mata Atlântica – Territórios, Ações e Resultados. A obra foi produzida de forma coletiva por uma equipe majoritariamente quilombola e une oralidade e diagnóstico territorial para mostrar como a governança comunitária, a proteção da biodiversidade e os direitos quilombolas se constroem na prática.
Diretamente do bioma amazônico, a comunicadora e artesã Samela Sateré-Mawé compartilhou duas indicações, para ler e para ouvir: a cartilha Mulheres Indígenas e Justiça Climática, produzida pela Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade, e o podcast Roçado no Ar, produzido pela Rádio Nacional dos Povos. Para ela, são dois materiais que ampliam repertório sobre como povos indígenas e tradicionais enfrentam as mudanças climáticas a partir de conhecimentos ancestrais.
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