Premiação reconhece o protagonismo das mulheres indígenas no monitoramento e proteção ambiental
O Instituto Socioambiental (ISA) e o Movimento das Mulheres do Território Indígena do Xingu (Atix-Mulher) venceram a 8ª Edição do Prêmio MapBiomas, na categoria especial Povos e Comunidades Tradicionais, com o dossiê Ciência Indígena e Monitoramento Territorial Frente à Expansão Agrícola na Terra Indígena Wawi, Leste do Xingu. A premiação ocorre, nesta terça (07), no Insper, em São Paulo.
O projeto foi realizado por Gaibetitanica Suya, vice-coordenadora da Atix-Mulher, e Ricardo Abad, analista técnico de Geoprocessamento do ISA.
A pesquisa integra dados históricos do MapBiomas (1985-2024) com o monitoramento independente feito com drones pelas guardiãs indígenas. Eles revelam duas realidades contrastantes: enquanto o entorno do município de Querência (MT) perdeu 45% de suas florestas para o agronegócio, a área vizinha protegida por indígenas Kisêdjê registrou uma recuperação florestal de 2,2%, agindo como um escudo verde.
O estudo também denuncia a extrema vulnerabilidade de uma área reivindicada pelos indígenas de 68,4 mil hectares, pois já sofre uma drástica redução de 40% de sua superfície hídrica, com a seca nas cabeceiras dos rios provocada pela drenagem sistemática promovida por fazendas vizinhas.
Segundo Abad, o processo de revisão dos limites desse território foi iniciado em 2007 pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), mas foi paralisado em 2012 devido a um mandado de segurança movido por proprietários rurais. “Essa paralisia jurídica deixa o território em extrema vulnerabilidade, enquanto a fronteira agrícola avança sobre as cabeceiras. É urgente a homologação definitiva dessa área como uma medida de adaptação e justiça climática”, avaliou.
Cientistas da terra
Para ele, a premiação dá visibilidade ao fato de que as mulheres indígenas já estão operando como verdadeiras cientistas da terra. “O prêmio reafirma que garantir o protagonismo das mulheres indígenas na produção de dados geoespaciais é um mecanismo capaz de criar resistência contra o avanço da fronteira agrícola”, afirmou.
“O prêmio confirma que somos protagonistas na proteção da floresta, das águas, da nossa cultura e da vida e seguiremos caminhando juntas, unidas e fortalecidas para que as futuras gerações continuem vivendo em um território preservado, com seus direitos, sua identidade e seus modos de vida respeitados’, disse Gaibetitanica Suya. Ela também lembrou do compromisso da associação no fortalecimento do papel da mulher na região. ‘É importante ressaltar a participação das mulheres nos espaços de decisão e na valorização dos seus conhecimentos e liderança, além da contribuição para a defesa do território’, completou.
O monitoramento realizado pelas indígenas também fortalece o uso das tecnologias para gerar laudos e denúncias para os órgãos de fiscalização, já que os resultados podem se tornar instrumentos de pressão pela demarcação territorial.
No momento da premiação, o cacique geral do povo Khĩsêtjê, Khuiusi Khĩsêtjê, que faleceu, na última quinta-feira (3), aos 80 anos, foi homenageado pelos representantes do seu povo. O cacique dedicou a sua vida à preservação da identidade cultural, à defesa do território e à garantia dos direitos dos povos indígenas.
Sobre o Prêmio MapBiomas
Realizado em parceria com o Instituto Ciência Hoje, o Prêmio MapBiomas reconhece aplicações práticas e trabalhos de destaque que utilizam os dados da plataforma MapBiomas para a conservação e gestão do território.
Desde 2015, o MapBiomas premia iniciativas que gerem dados sobre as transformações do uso da terra por meio da ciência para informar os tomadores de decisão nos setores público e privado e a sociedade civil, visando promover a conservação e o manejo sustentável dos recursos naturais e o enfrentamento às mudanças climáticas.
Para maiores informações sobre a 8ª Edição do Prêmio MapBiomas, acesse o site.
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