Com oficina, roda de conversa, aula-espetáculo, performance de Auritha Tabajara e pocket show de Brisa Flow, programação especial celebra as onze iniciativas premiadas pelo Edital Aldear a Educação Básica
Encerrando o Abril Indígena, mês de mobilização e resistência para o movimento indígena, nos dias 28 e 29 de abril, o Sesc 24 de Maio, em São Paulo (SP), recebe uma programação especial dedicada à promoção de uma educação que reconheça os saberes indígenas nas escolas brasileiras.
Reunindo pessoas educadoras de comunidades indígenas e não indígenas, as atividades do Aldear a Educação incluem roda de conversa, aula-espetáculo, oficina e bate-papo, propondo o diálogo entre diferentes saberes e modos de ensinar e aprender. “É um espaço para fortalecer, aprender, somar experiências e seguir avançando na valorização das ciências indígenas e no bem viver”, afirma Rosenilda Luciano, do povo Sateré-Mawé, coordenadora do Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (Fneei).
Além disso, o evento também busca assegurar a Lei nº 11.645/2008, uma conquista do movimento indígena que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), tornando obrigatório o ensino das histórias e culturas indígenas nas escolas do país. A legislação veio para complementar a Lei nº 10.639/2003, que já havia determinado a inclusão no currículo de histórias e culturas afro-brasileiras.
A programação é uma realização do Serviço Social do Comércio São Paulo (Sesc SP), junto ao Instituto Socioambiental (ISA) e ao Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (Fneei), em parceria com a Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga) e o Instituto Alana.
Para Rosenilda Luciano Sateré-Mawé, a cerimônia marca um momento de celebração e de reconhecimento das práticas pedagógicas nascidas nos territórios e reafirma a construção de uma educação mais justa, sustentável e pluriétnica, profundamente alinhada aos saberes dos povos indígenas. “Esse encontro evidencia a força da luta dos educadores e educadoras indígenas, articulados pelo FNEEI, com apoio de parceiros comprometidos, como o ISA, o Sesc, a Anmiga e o Instituto Alana, na construção coletiva de caminhos para a efetiva implementação da Lei 11.645/2008, respeitando as especificidades dos povos indígenas”, conclui.
A programação conta a presença de Joziléia Kaingang, diretora-executiva da Anmiga e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Gersem Baniwa, coordenador do FNEEI e professor na Universidade de Brasília (UnB); Cris Takuá, do Museu das Culturas Indígenas (MCI) e coordenadora das Escolas Vivas junto à Associação Selvagem; Luiz Ketu, escritor e pesquisador do Quilombo São Pedro, no Vale do Ribeira (SP); além da performance poética inédita da escritora Auritha Tabajara, com participação especial da musicista Paola Gibram; e o pocket show da artista Brisa Flow.
A iniciativa também celebra as onze experiências selecionadas no Edital Aldear a Educação Básica: Fortalecendo a Lei 11.645/08, que reconheceu onze práticas pedagógicas comprometidas com a valorização das histórias, culturas e conhecimentos indígenas nas escolas brasileiras. Ao todo, mais de 200 propostas foram avaliadas por um comitê formado por especialistas, educadores e representantes de organizações da sociedade civil.
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Para Luma Prado, pesquisadora responsável pelo projeto Aldear a Educação do ISA, “a programação no Sesc 24 de Maio dá oportunidade à comunidade educadora paulistana de conhecer, aprender e trocar com educadores indígenas e não indígenas que tornam realidade a Lei 11.645 em várias partes do Brasil”. Ela ainda acrescenta, “para nós, do ISA, a Lei 11.645 é estratégica no combate ao racismo contra povos indígenas, na valorização da sociodiversidade brasileira e, além disso, é a chave para que crianças e jovens possam desenvolver soluções para enfrentar a emergência climática”.
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O evento busca ampliar o alcance dessas práticas anteriormente reconhecidas pelo edital, que incluem iniciativas como podcasts com intelectuais indígenas, jogos protagonizados por mulheres lideranças, catálogos táteis de grafismos e projetos voltados a diferentes etapas da educação básica, incluindo Educação de Jovens e Adultos (EJA).
As ações pedagógicas premiadas serão disponibilizadas gratuitamente na plataforma Aldear a Educação, no site mirim.org, contribuindo com o repositório de recursos pedagógicos de educadores e para a difusão de abordagens antirracistas e interculturais em todo o país.
O edital Aldear a Educação Básica
Lançado em setembro de 2025, o edital tem como objetivo reconhecer e divulgar experiências educativas que evidenciem os saberes indígenas, combatendo o preconceito e fortalecendo a Lei nº 11.645/2008. A iniciativa é fruto da parceria entre FNEEI, ISA, Instituto Alana e Anmiga. Além do edital, a parceria entre as organizações é responsável pelo mapeamento de educadores indígenas que atuam na formação continuada de professores e pela nota técnica “Lei 11.645/08: Ensino de História e Cultura Indígena”, lançada em 2024.
Confira a programação completa:
Roda de conversa: Como aldeamos a Educação?
Data e horário: 28 de abril de 2026, terça-feira, das 15h às 17h30
Local: Sala ETA, no 4º andar do Sesc 24 de Maio
Participantes: Prof. Dr.ª Joziléia Kaingang (Anmiga e UFSC) e responsáveis pelas propostas premiadas no edital Aldear a Educação Básica, sendo eles: Ana Paula da Rocha, do povo Tapeba, que atua na Escola Indígena Aba Tapeba, em Caucaia (CE); Andressa dos Santos Silva, que atuou no CIEJA Campo Limpo, em São Paulo (SP); Arley de Araújo Clemente, do povo Potiguara Ibirapi, educador no Centro Comunitário Indígena/EJA Nordeste, em Ceará Mirim (RN); Bruna Moreira da Silva, professora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Campos do Cristal, em Porto Alegre (RS); Cristiana Andrade Butel, que atua na Escola Estadual Senador João Bosco, em Parintins (AM); Leonardo Alves da Cunha Carvalho, professor do Instituto Federal de São Paulo (Campus São Miguel Paulista), na capital paulista; Monyque Ferreira Brandão, professora da Escola Estadual José Domingos da Silveira, em Barueri (SP); Selma de Souza Sá Silva, do povo Pankará, que atua na Escola Municipal Virgílio Távora, em São Paulo (SP); Talita Yosioka Collacio, professora da EJA na Escola Municipal Professor João de Barros Pinto, em Santo André (SP); Thais Regina Maciel da Silva, do povo Pataxó, que leciona na Escola Municipal Aristides José da Silva, em Betim (MG); Vilmone Benites Samaniego (Wera Mirim), do povo Guarani Nhandeva, educador na Escola Indígena Pira Rupa, em Palhoça (SC)
Mediação: Tatiane Maíra Klein (ISA e USP)
*Retirada de ingresso 30 minutos antes
Aula-Espetáculo: Aldear a Educação: caminhos indígenas para a Lei 11.645/08
Data e horário: 28 de abril de 2026, terça-feira, das 19h às 21h
Local: Teatro do SESC 24 de Maio
Participantes: performance poética de Auritha Tabajara, com participação especial da musicista Paola Gibram; Chirley Pankará (Anmiga e USP), como mestra de cerimônias; aula de Gersem Baniwa (FNEEI e UnB) e Luma Prado (ISA e USP); e pocket show de Brisa Flow
*Retirada de ingressos 1 hora antes
Bate-papo: Pedagogias quilombolas e indígenas
Data e horário: 29 de abril de 2026, quarta-feira, das 15h às 16h30
Local: Sala ETA, no 4º andar do Sesc 24 de Maio
Participantes: Cris Takuá (Escolas Viva/Conselho Aty Mirim, TI Ribeirão Silveira) e Luiz Ketu (Quilombo São Pedro)
Mediação: Mariana Soares, jornalista (ISA)
*Retirada de ingresso 30 minutos antes
Oficina: Escolas antirracistas, modos de fazer
Data e horário: 29 de abril de 2026, quarta-feira, das 17h às 19h
Local: Sala ETA, no 4º andar do Sesc 24 de Maio
Participante: Veronica Pinheiro (grupo Aprendizagens/Selvagem)
*Retirada de ingresso 30 minutos antes
Mais informações: sescsp.org.br/24demaio
Serviço de van: o Sesc oferece transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h às 23h, e aos domingos e feriados, das 18h às 21h.
Sobre o Sesc
O Serviço Social do Comércio é uma entidade privada com finalidade pública, criada em 1946 por iniciativa do empresariado do setor de comércio de bens, serviços e turismo, e que tem como missão contribuir para a qualidade de vida dos trabalhadores dessas categorias, seus dependentes e da sociedade em geral.
No estado de São Paulo, o Sesc conta com uma rede de 44 unidades, incluindo centros culturais e esportivos, bem como unidades especializadas. Oferece programações em diversas linguagens artísticas, atividades físico-esportivas e de turismo social, programas de saúde, educação para sustentabilidade, para a diversidade e para acessibilidade, alimentação, programas especiais para crianças, jovens e pessoas idosas, além do Sesc Mesa Brasil – programa institucional de combate à fome e ao desperdício de alimentos.
O Sesc desenvolve, assim, uma ação de educação não formal permanente com o intuito de valorizar as pessoas ao estimular a autonomia, a convivência e o contato com expressões e modos diversos de pensar, agir e sentir.
Sobre o Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (Fneei)
O Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (Fneei) é um espaço de diálogo e articulação entre lideranças indígenas, educadores e o Estado, em defesa de uma educação escolar indígena específica, diferenciada e intercultural. Criado em 2015, o Fórum atua na promoção de políticas públicas que valorizem os saberes tradicionais, as línguas e os territórios indígenas, conforme previsto na Constituição e no Plano Nacional de Educação, reafirmando seu papel de resistência frente aos retrocessos nos direitos dos povos indígenas.
Sobre o Instituto Socioambiental
Com o lema “socioambiental se escreve junto”, em 1994 foi fundado o Instituto Socioambiental (ISA). Desde então, a organização atua lado a lado com parceiros históricos de comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas para desenvolver soluções que protejam seus territórios, fortaleçam suas culturas e saberes tradicionais, elevem seu perfil político, e desenvolvam economias sustentáveis.
Com Programas e escritórios dentro dos territórios, o ISA fincou suas raízes em três bacias hidrográficas: Rio Negro (AM/RR), Xingu (MT/PA) e Ribeira de Iguape (SP). E, em parceria com associações locais, organizações não governamentais, e redes regionais e nacionais, articula projetos através dos Programas de Política e Direito Socioambiental e Povos Indígenas no Brasil, bem como dos Temas de Restauração Ecológica, Economias da Sociobiodiversidade e Clima - uma relação de duas vias que nomeamos “raiz-antena”. Sua missão é defender a pluralidade socioambiental brasileira, seja no chão da floresta ou nos corredores de Brasília.
Sobre o Alana
O Alana é um ecossistema de organizações de impacto socioambiental que promove e inspira um mundo melhor para as crianças. Um mundo sustentável, justo, inclusivo, igualitário e plural. Um mundo que celebra e protege a democracia, a justiça social, os direitos humanos e das crianças com prioridade absoluta. Um mundo que cuida dos seus povos, de suas florestas, dos seus mares, do seu ar. O Alana é um ecossistema de organizações interligadas, interdependentes, de atuação convergente, orientadas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. O encontro de um Instituto, uma Fundação e um Núcleo de Negócios de Entretenimento de Impacto. Um combinado único de educação, ciência, entretenimento e advocacy que mistura sonho e realidade, pesquisa e cultura pop, justiça e desenvolvimento, articulação e diálogo, incidência política e histórias bem contadas.
Sobre a Anmiga
A Anmiga é uma organização de mulheres originárias dos seis biomas do País – Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa e Pantanal. Por meio de uma construção coletiva, elas buscam fortalecer a luta pelo bem viver e por seus territórios, a partir do protagonismo das mulheres e da valorização de seus saberes tradicionais.
Esta publicação é um produto do projeto "Defesa e Promoção dos Direitos Indígenas no Brasil: Construir Capacidades e Engajar Pessoas por um Futuro mais Justo", realizado pelo Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (Fneei) e Instituto Socioambiental (ISA), com o financiamento da União Europeia.
Este material tem conteúdo de responsabilidade exclusiva das instituições realizadoras e não reflete a posição da União Europeia.
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