De 16 a 19 de abril, evento no Parque do Ibirapuera apresenta cerâmicas, grafismos, cestarias, esculturas, objetos em madeira, têxteis e design, além de produtos da floresta e de outros biomas do Brasil. Entrada gratuita
*Atualizado em 15/04/2026
Mídia Indígena - A terceira edição da Feira de Arte dos Povos Indígenas chega à cidade de São Paulo, entre os dias 16 e 19 de abril de 2026, como uma afirmação pública de que a produção indígena é arte viva, território materializado e expressão de sistemas de conhecimento que atravessam gerações. Mais do que um evento cultural, se consolida como uma plataforma de valorização da arte indígena e de fortalecimento da autonomia econômica dos povos, reposicionando a forma como suas produções, saberes e existências são vistos publicamente.
Realizada no Parque Ibirapuera, no Pavilhão das Culturas Brasileiras (Pacubra), a feira reúne cerca de 100 artistas e produtores indígenas de mais de 50 povos originários, que vêm diretamente de seus territórios e assumem o protagonismo na apresentação e comercialização de suas próprias produções. Ao longo de quatro dias, o espaço vai se transformar em um encontro de diferentes biomas, culturas, línguas e modos de vida, aproximando territórios indígenas da sociedade urbana na maior cidade do país. A cerimônia oficial de abertura será realizada no dia 16, às 20h.
Entre os povos presentes estão Pataxó, Guarani, Yanomami, Xakriabá, Tukano, Kayapó, Karajá, além de Tikuna, Baniwa, Ashaninka, Krahô, Fulni-ô, Terena, Munduruku, Macuxi e Xavante, representando a diversidade cultural dos territórios indígenas no Brasil. Outro destaque é o povo Paiter-Suruí, da Terra Indígena Sete de Setembro, em Rondônia, reconhecido pela produção sustentável de café.
Ubiratan Paiter-Suruí, representante da iniciativa, ressalta a importância da participação: “Embora o café não faça parte da nossa cultura tradicional, ele se tornou uma das principais fontes de renda e uma nova oportunidade para as famílias do nosso povo”, explica. Cultivado em sistema agroflorestal dentro das comunidades, o processo alia geração de renda à proteção da floresta. “Não pensamos apenas no lucro, mas também na proteção das nossas florestas. A feira é o momento de apresentar o café Sarikab para outras pessoas, mostrando que ele não é apenas um produto, mas carrega história, cultura e resistência”, afirma. Segundo ele, o evento também amplia possibilidades. “A feira abre portas para novas oportunidades, possibilita parcerias e fortalece a geração de renda para os Paiter-Suruí”.
A feira apresenta ainda produções fotográficas realizadas por fotógrafos indígenas, que utilizam a imagem como instrumento de memória, denúncia e afirmação identitária. Também estão entre os destaques esculturas e máscaras em argila, que expressam dimensões espirituais e cosmológicas, e bancos indígenas produzidos no Alto Xingu, entre outras expressões artísticas.
Economia indígena
A feira também evidencia a existência de uma economia indígena estruturada, coletiva e territorial, baseada na sociobiodiversidade, no manejo sustentável e na permanência nos territórios. Ao dar visibilidade a essas cadeias produtivas, o evento contribui para fortalecer práticas regenerativas e destacar o papel central dos povos indígenas na proteção dos biomas brasileiros.
Segundo o IBGE, o Brasil abriga mais de 390 povos e mais de 270 línguas originários. Parte dessa diversidade estará presente em São Paulo, promovendo um intercâmbio direto entre povos indígenas e o público em uma experiência que vai além da comercialização.
“A gente pensou essa feira como uma plataforma de dignidade. Vai além da comercialização é também um processo pedagógico para que as pessoas conheçam e se conectem com a arte indígena e com a produção que vem dos territórios”, disse Hony Sobrinho, produtor da Mídia Indígena e coordenador da feira.
A feira integra a programação da Bienal Brasileira de Arquitetura e contará com encontros, debates e atividades sobre ancestralidade, tecnologia, sociobiodiversidade, economia criativa indígena, comunicação, arte, moda e bem viver.
“Realizar essa feira em São Paulo é uma grande incidência da cultura indígena É a oportunidade de fortalecer a economia nos territórios com os parentes comercializando diretamente suas produções em um espaço de grande visibilidade ao mesmo tempo em que compartilham a diversidade e a riqueza dos povos indígenas com a sociedade”, comenta Erisvan Guajajara, coordenador nacional da Mídia Indígena e da feira.
Programação
A programação começa no dia 16 de abril, a partir das 10h, e segue até o dia 19, data que marca o Dia dos Povos Indígenas, um momento de luta, visibilidade e reafirmação de direitos. O encerramento se conecta ao Festival Raízes Ancestrais, que acontece no mesmo dia, a partir das 19h, no Espaço Cultural Elza Soares, na Barra Funda. O festival reúne música, expressões culturais e lideranças indígenas de diferentes regiões do país, reafirmando a presença indígena na cidade e a importância de reconhecer São Paulo como território indígena.
“A feira e o Festival Raízes Ancestrais são um mesmo movimento de presença e afirmação Reunimos povos de diferentes territórios para mostrar que nossa arte nossa cultura e nossos modos de vida seguem vivos e em movimento”, disse Priscila Tapajowara, coordenadora nacional da Mídia Indígena
“A curadoria foi construída de forma coletiva a partir da escuta direta dos territórios As obras revelam técnicas sentidos e modos de vida que transitam entre o cotidiano e o ritual expressando uma arte ancestral que reflete a relação profunda de cada povo com seu território”, detalha Marcelo Rosenbaum.
A Feira de Arte dos Povos Indígenas, que já passou por Brasília e Belém (PA), é idealizada pela Mídia Indígena, maior coletivo de comunicação e jornalismo indígena do país, e conta, nesta edição, com apoio do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e patrocínio institucional do Instituto Socioambiental (ISA), do Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé) e do Fundo Amazônia. A execução fica por conta do Instituto No Setor e a produção é da Maraca.pro.
SERVIÇO
Feira de Arte dos Povos Indígenas 2026
Parque Ibirapuera, Pavilhão das Culturas Brasileiras (Pacubra), São Paulo
16 a 19 de abril de 2026
A partir das 10h
Entrada gratuita
Festival Raízes Ancestrais
Espaço Cultural Elza Soares, Barra Funda, São Paulo
19 de abril de 2026
A partir das 19h
Entrada gratuita
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