Com a força de quem há anos transforma palavras em poesia, a multiartista e produtora cultural Socorro Lira apresenta, em parceria com o Redário e o Instituto Socioambiental (ISA), o videoclipe da música “Dar a terra à Terra”.
A canção, com melodia de Alisson Menezes, mistura elementos da música popular brasileira com uma batida envolvente de funk e traz uma mensagem clara sobre a necessidade de aprofundar a restauração ecológica no Brasil, e indica que é preciso devolver à natureza o que lhe pertence, sem barganha e sem exploração.
Parte do clipe foi gravada pela equipe de Comunicadores da Rede Xingu+ durante o 4º Encontro Nacional do Redário, realizado em Nova Xavantina (MT), e dá protagonismo a coletoras e coletores de sementes nativas de todo o Brasil. Mais de 150 pessoas de quase 30 redes participaram do encontro, marcado pela troca de saberes, defesa da biodiversidade e fortalecimento das lutas comunitárias pela conservação ambiental.
Assista ao clipe!
O clipe também apresenta ao público gravações no Estúdio 185 de Alldry Eloise, Fabricio Mascate, Jaque da Silva, João Maia e Socorro Lira nos vocais, da percussionista Valentina Facury e do saxofonista Chico Macedo, com arranjos de Cintia Zanco, que fez a direção musical. A mixagem é de Ricardo Vignini e a masterização de Homero Lotito, do Reference Mastering Studio. A identidade visual é do Estúdio Arado e a produção audiovisual da Cama Leão.
“Dar a terra à Terra” propõe outro ritmo para pensar o planeta. Mais leveza, mais dança, mais alegria e conexão com as novas gerações se mostram como estratégia de conscientização e resistência. Em um momento em que o Brasil se prepara para sediar a COP30, em 2025, a música em ritmo de funk surge como uma ponte entre arte e política, convocando cada um, cada uma, a refletir sobre seu papel diante da emergência climática e da urgência de conservar o que ainda resta.
Com mais de 20 anos de carreira, Socorro Lira já percorreu o Brasil e o mundo com sua arte e foi vencedora do Prêmio da Música Brasileira em 2012, na categoria “Cantora Regional”, pelo CD “Lua Bonita – Zé do Norte, 100 Anos”. Seus álbuns dialogam com literatura, ancestralidade, justiça social e ativismo ambiental. Neste novo trabalho, ela continua em sua trajetória que une palavras e movimentos para semear ideias.
Sobre o Redário
O Redário é uma articulação entre redes e grupos de coletores de sementes nativas, para estruturação da base da cadeia de restauração em larga escala, através da oferta de sementes de qualidade adequadas a cada projeto.
Atualmente, com mais de 2500 coletoras e coletores reunidos em 27 redes, a maioria de base comunitária, está com ações concentradas em 4 biomas, 11 estados e Distrito Federal.
Sobre o Instituto Socioambiental (ISA)
O Instituto Socioambiental (ISA) é uma associação sem fins lucrativos, qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), fundada em 22 de abril de 1994, por pessoas com formação e experiência marcante na luta por direitos socioambientais no Brasil.
Ouça a música no seu aplicativo de música favorito e compartilhe!
Ficha técnica
Dar a terra à Terra
Letra: Socorro Lira
Música: Álisson Menezes
Direção artística, produção fonográfica e voz: Socorro Lira
Arranjo e produção musical: Cíntia Zanco
Programação: Gigi Magno (Estúdio Eletrola Produções)
Produção executiva: Instituto Socioambiental (ISA) e Redário
Preparo da muvuca de sementes durante o IV Encontro do Redário|Fernanda Medeiros/ISA
Muvuca de sementes no IV Encontro das Redes do Redário|Yamony Yawalapiti/ISA
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Indígenas do Rio Negro ampliam diálogo sobre clima e territórios na Casa do Saber, em São Gabriel da Cachoeira (AM)
Primeira oficina do Ciclo de Estudos Interculturais conecta políticas climáticas globais e nacionais às realidades indígenas, com foco em carbono, governança e justiça climática na Amazônia
Em ano de Conferência do Clima na Amazônia (COP 30), os povos indígenas fortalecem o diálogo intercultural sobre aspectos da governança climática global, geopolítica, economia e política de modo que temas como regulamentação do mercado de carbono e pagamento por serviços ambientais possam ser objeto de debate e reflexão de forma democrática, inclusiva e pé no chão junto às comunidades no Amazonas.
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Participantes do Ciclo de Estudos Interculturais em Políticas Climáticas, em São Gabriel da Cachoeira, na sede da Foirn|Adelina Sampaio Desana/ISA
Estabelecer conexões entre o pensamento indígena e as estratégias de mitigação e adaptação às alterações climáticas previstas no âmbito das negociações internacionais, também foi um dos objetivos do Ciclo de Estudos Interculturais em Políticas Climáticas, iniciado com a primeira oficina presencial realizada na Casa do Saber, da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), entre os dias 10 e 13 de junho.
Com organização do Programa Rio Negro, do Instituto Socioambiental (ISA) e apoio do Banco Mundial, o evento contou com 42 lideranças de cerca de 15 etnias do Rio Negro, como Baré, Baniwa, Desana, Tariana, Tuyuka, Tukano, Piratapuia, Koripako e Wanano. Os participantes debateram e refletiram sobre aspectos da ciência do clima, das políticas, leis internacionais e nacionais implementadas sobre o assunto, como a regulamentação do mercado de carbono, com a criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE).
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Geopolítica e Convenção do Clima da ONU em pauta na Casa do Saber da Foirn, em São Gabriel da Cachoeira (AM)|Juliana Radler/ISA
A governança climática global e seus impactos nos territórios indígenas e nas políticas públicas existentes, como a Política Nacional de Gestão Territorial em Territórios Indígenas (PNGATI), é tema fundamental para as lideranças indígenas rionegrinas que habitam uma região com 23 milhões de hectares de floresta amazônica preservada, com 12 Terras Indígenas, na área de abrangência da governança territorial da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn).
A oficina contou com a presença da advogada especialista em Direito Socioambiental, Fernanda Rotta, da Rotta e Moro Sociedade de Advogados, para introduzir os aspectos jurídicos das políticas do clima, como a recém sancionada Lei 15.042 (Lei do Carbono), mecanismos de REDD + e REDD+ Jurisdicional - Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal -, assim como os direitos dos indígenas como titulares dos créditos de carbono em seus territórios.
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Advogados Fernanda Rotta e Adriano Oliveira Tukano explicaram o direito à consulta livre, prévia e informada (CLPI) em Terras Indígenas|Juliana Radler/ISA
A importância das salvaguardas socioambientais (salvaguardas de Cancún) e da aplicação dos Protocolos de Consulta para consulta livre, prévia e informada (CLPI) junto às comunidades em casos de desenvolvimento de projetos também foi trabalhada no Ciclo pelos participantes, que contaram com um encontro entre advogados (indígena e não indígena) para refletir sobre temas ligados à autonomia indígena, autodeterminação e soberania em seus territórios e modos de vida, com a participação do advogado Adriano Oliveira, do povo Tukano.
A equipe do Programa Rio Negro do ISA também conduziu apresentações sobre os efeitos dos Gases do Efeito Estufa (GEE), sobre o Ciclo do Carbono e a interferência antropogênica no equilíbrio climático da Terra, assim como tópicos relacionacionados às negociações no âmbito da UNFCCC (Convenção do Clima da ONU), sua criação na Eco 92 e principais desafios e conquistas, como o Acordo de Paris. Pontos de atenção sobre violações de direitos, fraudes e a chamada maquiagem verde também foram abordados, assim como a necessidade de se valorizar os princípios éticos estabelecidos nas negociações climáticas globais, como os estabelecidos pela Unesco, em 2017.
Durante quatro dias, os diálogos interculturais contaram também com apresentações dos Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (Aimas) e dos conhecedores indígenas, assim chamados os guardiões dos saberes ancestrais da cosmovisão indígena, entre eles Arlindo Maia Tukano e Januário Bastos Alves Tuyuka, ambos da Terra Indígena Alto Rio Negro, moradores dos Rios Uaupés e Tiquié. O papel dos Aimas, que formam uma rede de pesquisadores indígenas na Bacia do Rio Negro, foi ressaltado pelos participantes do Ciclo de Estudos como de fundamental importância para o presente e futuro da Amazônia em tempos de mudanças climáticas.
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Roda de Conversa sobre origem do fogo com conhecedores indígenas e Aimas, durante o Ciclo de Estudos Interculturais em Políticas Climáticas|Juliana Radler/ISA
A próxima oficina presencial do Ciclo de Estudos Interculturais em Políticas Climáticas no Rio Negro ocorrerá entre os dias 15 e 18 de julho, na Casa do Saber, na sede da Foirn, em São Gabriel da Cachoeira, com o objetivo de aprofundar o tema de pagamento por serviços ambientais, serviços ecossistêmicos e estratégias indígenas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, além da articulação dos povos indígenas do Rio Negro para a COP 30, em Belém, considerando aspectos ligados à gênero, raça e direitos da juventude.
Chega de destruição
Adolescentes indígenas e não indígenas, estudantes do Colégio Estadual São Gabriel, localizado no centro do município, apresentaram para os participantes do Ciclo de Estudos, trabalhos feitos em sala de aula sobre o aquecimento global, suas causas, consequências e ações possíveis para enfrentar o problema. Preocupados com o futuro que terão em um planeta mais quente, os alunos amazonenses demonstraram seu engajamento e compromisso com o meio ambiente, levantando a necessidade de cuidar urgentemente das florestas, dos rios e melhorar as condições de vida nas cidades amazônicas.
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Ilustração de estudantes do Colégio São Gabriel apresentada durante o Ciclo de Estudos Interculturais em Políticas Climáticas |Juliana Radler/ISA
“Chega de destruição e de lixo nos nossos igarapés. A gente tem que respeitar a natureza e não maltratar quem nos dá a vida”, disse uma aluna na apresentação.
O intercâmbio entre o Ciclo de Estudos Interculturais em Políticas Climáticas com os alunos adolescentes do colégio São Gabriel continuará na segunda oficina, com acompanhamento do professor de Ciências, Benedito Melgueiro Ribeiro, do povo Baré.
Ficha técnica do Ciclo de Estudos Interculturais em Políticas Climáticas do Rio Negro | Oficina de 10 a 13 de junho:
Organização: Juliana Radler
Produção: Michelle Machado Tukano, Juliana Radler e Wizer Oliveira Baré
Conselho Intercultural e articulação com rede de Aimas: Arlindo Maia Tukano, Aloisio Cabalzar e Danilo Bruxellas Parra
Assessoria Jurídica: Fernanda Rotta (Rotta e Moro Sociedade de Advogados) e Adriano Oliveira Tukano
Assessoria técnica em Gestão e Cadeias Produtivas: Ana Letícia Pastore
Mediação: Michelle Machado Tukano e Juliana Radler
Logística: Antônio Gabriel Silva, Claudino Amorim e Wizer Almeida Baré
Alimentação: Rosemira Lizardo, Marlene Albino e Valéria Guerra
Apoio na articulação com comunidades: Adelina Sampaio Desana
Elaboração de conteúdos para a oficina (slides, apostila e materiais de apoio): Ana Letícia Pastore, Aloisio Cabalzar, Arlindo Maia Tukano, Fernanda Rotta e Juliana Radler
Relatoria do evento e gravação em áudio dos conteúdos: Inês Mexia
Participantes:
Diretoria da Foirn: Dario Casimiro Baniwa (presidente), Hélio Gessém Monteiro Lopes Tukano, Carlos Neri Piratapuia e Edison Cordeiro Gomes Baré.
Lideranças das Coordenadorias: Coordenadoria das Associações Indígenas do Baixo e Médio Rio Negro (Caimbrn): Adilson da Silva Joanico, Lilian Gabriela Caldas de Assis Koripako e Pedro Vaz Pena; - Coordenadoria das Associações Indígenas do Balaio, Xié e Alto Rio Negro (Caibarnx): Adelina de Assis Sampaio Veloso, José Baltazar, Edmundo Gomes Alemão e Lucilene Veloso; Coordenadoria das Associações Indígenas do Distrito de Iauaretê (Coidi): Gustavo Cordeiro Trindade, Miriam Sirlene Marques Dias e Grazielly Prado Rodrigues, Almerinda Ramos de Lima; Coordenadoria Diawii (rios Uaupés e Tiquié): Francicleno dos Santos Brandão, Anunciata Rezende Marques e Maria Suzana Menezes Miguel e Coordenadoria Nadzoeri (rios Içana e Ayari): Ronaldo Apolinário, Francinaldo Farias, Walter Lopes da Silva e Bonifácio José
Rede de Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (AIMAs): Milena Joaquim, Araújo Lourenço Amâncio, Edécio Marques Meira, Ezequias da Costa Pereira, Milton Sanches Velasque, Damião Barbosa, Ismael Pimentel dos Santos (Piaba) e Roberval Pedrosa.
Comunicadores da Rede Wayuri: Claudia Ferraz Wanano e João Paulo Piratapuia.
Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (Dmirn): Cleocimara Gomes Piratapuia
Departamento de Adolescentes e Jovens do Rio Negro (Dajirn): Jucimery Garcia Tariano
Assessoria Jurídica da Foirn: Adriano Oliveira Tukano
Equipe do ISA: Andréia Damasceno, Aloisio Cabalzar, Ana Letícia Pastore, Dulce Morais, Danilo Bruxellas Parra, Juliana Radler e Petra Caldas
Convidada da Academia: Juliana Lins Góes de Carvalho, doutoranda da Universidade Radboud, Holanda
Rotta Moro Advogados: Fernanda Rotta
Instituições convidadas - FUNAI - CR Rio Negro: Maria do Rosário Martins (Dadá Baniwa) e Denivaldo Cruz da Silva, ICMBIO (São Gabriel da Cachoeira): Maria Janete Pena Ramos; Tribunal de Justiça do Amazonas (São Gabriel da Cachoeira) - juiz Manoel Átila Araripe Autran Nunes.
Francicleno dos Santos Brandão, liderança de Pari-Cachoeira, defende importância da autonomia dos povos indígenas|Juliana Radler/ISA
Liderança Adelina Sampaio, do povo Desana, e a advogada Fernanda Rotta, na primeira oficina sobre políticas climáticas em São Gabriel da Cachoeira|Aloisio Cabalzar/ISA
Mulheres lideranças indígenas de Iauaretê, na TI Alto Rio Negro, debatem sobre Adaptação Climática|Juliana Radler/ISA
Gustavo Cordeiro Trindade, coordenador da Coidi, analisa possíveis problemas em contratos de carbono junto às comunidades indígenas|Juliana Radler/ISA
Ezequias da Costa Pereira, Aima do município de Barcelos, analisa os eventos extremos na Bacia do Rio Negro|Juliana Radler/ISA
Juliana Radler, analista de políticas socioambientais do ISA, na Casa do Saber|Aloisio Cabalzar/ISA
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Enchente do Rio Içana amplia sequência de extremos climáticos no noroeste amazônico
Subida durante a enchente está sendo registrada em vários pontos da região do Rio Negro, desde a cidade de São Gabriel da Cachoeira até as cabeceiras dos rios
Enchentes e secas se alternam, ano após ano, numa sequência de extremos climáticos que impactam as comunidades indígenas da Bacia do Rio Negro. Desta vez, depois de dois anos de verões severos, com vazantes significativas dos rios formadores do Negro – provocados pelo El Niño potencializado por efeitos das mudanças climáticas – é o excesso de chuvas que está chamando a atenção e alterando a vida de seus habitantes.
De acordo com o Boletim Hidrológico da Bacia do Rio Amazonas publicado na ultima semana pelo Serviço Geológico do Brasil, o Alto Rio Negro segue em processo de enchente, subindo uma média diária de 6 cm em São Gabriel da Cachoeira e Barcelos, com níveis considerados altos para a época.
No Rio Içana, importante afluente que nasce na Colômbia e deságua na região do Alto Rio Negro, os Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (AIMAs) relatam prejuízos e preocupações com o avanço da água sobre as roças, casas, quintais com suas plantas frutíferas e até mesmo escolas, comprometendo a segurança alimentar e o bem-estar das famílias em seus territórios. A estimativa é de que mais de 120 famílias da região tenham sido afetadas na região.
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Após dois anos de verões severos, roças, casas e escolas estão alagadas. Na foto, o impacto na da cheia na Comunidade de Aracu-Cachoeira|Siderio Rodrigues/AIMA
“Agora o nível está subindo cada vez mais. Hoje subiu quase três palmos aqui em Bela Vista”, conta Tiago Pacheco, coordenador dos Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (AIMAs) do Alto Içana e professor nessa comunidade, alertando que as chuvas não têm dado trégua. “Se não chove pela manhã, com certeza à tarde e à noite [vai chover]. E acredito que hoje vai chover de novo, então não tem como parar a enchente, né?”.
Para Tiago, a situação é preocupante e atinge principalmente as famílias que estão localizadas em terrenos mais baixos. “A maioria das famílias de Aracú Cachoeira e daqui estão perdendo suas roças, que estão indo pro fundo. Não sei como vai ficar, porque as roças que estão sendo alagadas são novas roças, não maduras ainda. E as plantações também”.
Uma preocupação compartilhada por outros moradores, que já veem a rotina afetada e a subsistência ameaçada pela força da cheia, considerada extrema para a região. “O rio tá muito cheio mesmo. Algumas [comunidades] já alagaram metade e passou do nível”, segundo o AIMA Siderio Rodrigues, ao enviar imagens da enchente.
Siderio também relata a subida massiva de piabas durante dias seguidos, capturadas em armadilhas colocadas na cachoeira, alimento para todos da comunidade. A subida durante a enchente está sendo registrada em vários pontos do território, desde a cidade de São Gabriel da Cachoeira até as cabeceiras dos rios, como no Içana, onde também foi reportada na Cachoeira Uapuí, em seu alto curso.
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Casa do AIMA Valêncio da Silva, em Urumutum-Lago. Imagem do começo do mês|Aloísio Cabalzar/ISA
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Casa do AIMA Valêncio da Silva, em Urumutum-Lago. Imagem da casa tomada pela água|Walter Silva/AIMA
A imagem da esquerda mostra a casa do AIMA Valêncio da Silva, na comunidade de Urumutum-Lago, no início do mês, antes da cheia do rio. À direita, a mesma casa aparece completamente tomada pela água. Valêncio e sua família estão abrigados na casa de parentes numa área mais alta na própria comunidade. Uma realidade que se repete com muitas outras famílias atingidas pela enchente.
Da comunidade de Camanaus, também na fronteira Brasil-Colômbia, a AIMA Milena Patinho Joaquim relata a mesma situação: “a escola também se afundou e o rio continua subindo. Passou o limite onde sempre chegava”. Ela conta que, de acordo com os sabedores mais antigos, é a primeira vez que a água avança desta forma na sua comunidade.
Nos anos de 2021 e 2022, o nível da água também subiu de forma atípica na região do baixo Rio Ayari, afluente do médio Içana. Em 2025, a situação se repete, sendo essa a área mais impactada até o momento: segundo levantamento feito por lideranças locais, 29 famílias e 40 roças foram atingidas pela cheia. Lá, a água já começa a baixar, mas a dinâmica nas comunidades ainda não foi normalizada.
“Nós enviamos uma planilha e as lideranças foram preenchendo. Em toda a região do Içana, foram 122 famílias e roças impactadas. O número de casas foi de 81 que a gente conseguiu levantar”, explica Dzoodzo Aawadzoro, liderança indígena Baniwa.
A Defesa Civil de São Gabriel da Cachoeira emitiu um comunicado solicitando que os capitães (lideranças) das comunidades indígenas entrassem em contato para relatar a situação em suas localidades, a fim de organizar o apoio humanitário necessário.
Nesta segunda-feira (24), o coordenador do órgão, Armando Neto dos Santos, informou que uma equipe interinstitucional seguirá nos próximos dias em expedição para a região do Rio Içana, onde fará uma avaliação in loco da situação e das dimensões dos impactos para avaliar e fornecer os apoios necessários.
São Gabriel da Cachoeira em alerta
Rio abaixo, na área urbana do município de São Gabriel da Cachoeira, a situação é de alerta para inundação pela Defesa Cívil do Estado do Amazonas, mas ainda está dentro dos níveis esperados para o período.
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Passarela de madeira precisou ser instalada no Bairro São Jorge/Tirirical, em São Gabriel da Cachoeira|Vanessa Fernandes/ISA
O aumento do nível do rio já começa a mudar a paisagem da orla principal, onde a faixa de areia já desapareceu. Na mesma região, no Bairro São Jorge/Tirirical, uma passarela de madeira, conhecida como maromba, já foi instalada pela Secretaria de Obras para a passagem de pedestres no trecho onde o rio começou a tomar a rua. O acesso pela Vila dos Oficiais, controlada pelo exército, também foi liberado para os moradores.
Na região central, a rua Beira Rio, no Porto Queiroz Galvão, que há uma semana estava prestes a ser alcançada pela água, já se encontra com um trecho submerso interditado para a passagem de veículos nesta terça-feira (24). Na mesma região, ao final da avenida 31 de março, aos pés do Morro da Fortaleza, uma passarela foi instalada para garantir a passagem de pedestres que moram na área. A situação também está sendo monitorada no bairro Dabaru Beira Rio.
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Avenida Beira Rio em São Gabriel da Cachoeira interditada para o trânsito de veículos|Vanessa Fernandes/ISA
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Avenida 7 de Setembro também foi afetada e segue sem circulação de carros|Vanessa Fernandes/ISA
Maio, junho e julho são os meses onde o rio alcança sua cota máxima no município. Há uma semana, no dia 17 de junho, o nível do rio Negro em São Gabriel da Cachoeira era de 11,48 m. De acordo com a Defesa Civil, nesta terça (24), a cota é de 11,63 m. As medições ocorrem diariamente às 7h e 17h do horário local. A cota máxima registrada no município foi de 12,68 m em 11 de junho de 2021.
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Nota de pesar pelo falecimento de Genisvan Melquior
Genis, como era conhecido, foi um dos pioneiros no uso de tecnologias e sistemas de informação geográfica e deixa um legado de compromisso com os direitos territoriais dos povos do extremo norte do país
Genisvan deixa um legado de compromisso com os direitos territoriais dos povos do extremo norte do país|Arquivo/CIR
É com profundo pesar que recebemos a triste notícia do falecimento de Genisvan Melquior André, do povo Macuxi.
Genis, como era conhecido entre os amigos, nasceu em Maturuca, na região das Serras, na TI Raposa Serra do Sol, e foi um dos pioneiros no uso de tecnologias e sistemas de informação geográfica para o monitoramento e proteção de Terras Indígenas em Roraima. Atuou por 15 anos no Departamento de Gestão Territorial, Ambiental e Mudanças Climáticas do Conselho Indígenas de Roraima (CIR).
Nós do ISA, tivemos a honra de contar com a sua colaboração como estagiário, enquanto cursava a graduação em Gestão Territorial na UFRR. Neste período, Genis contribuiu de maneira fundamental para a construção do banco de dados geográficos das áreas protegidas da bacia do Rio Negro, base utilizada até os dias atuais na defesa dos direitos territoriais e difusos dos povos do extremo norte do Brasil.
Além das habilidades nas ferramentas de geoprocessamento, Genis foi tecladista do lendário grupo “Caxiri na Cuia”, banda de forró Macuxi, cujas canções ecoarão por muito tempo nas malocas e casas do nosso estado.
É com o coração partido, portanto, que gostaríamos de deixar as nossas homenagens a esta pessoa extraordinária, que tanto contribuiu para a luta em defesa dos povos indígenas. Nossas profundas condolências a família e amigos de nosso querido guerreiro.
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Canoita fortalece acordos de manejo no Alto Tiquié (AM) e reafirma protagonismo indígena
Encontro entre comunidades do Brasil e da Colômbia pactua diretrizes para preservação do peixe e do caraná, com base em conhecimentos ancestrais e práticas de cuidado com o território
A Canoita, encontro de troca de conhecimentos, comunicação e monitoramento territorial, mobiliza comunidades indígenas da região do rio Tiquié — entre Brasil e Colômbia — desde o início dos anos 2000. Realizada entre os dias 5 e 8 de maio, a edição de 2025 reuniu cerca de 120 participantes em São Pedro (ou Mopoea), do lado brasileiro do rio, para aprofundar os debates iniciados no ano anterior, em Bellavista de Abyú, na Colômbia.
O foco do encontro foi a pactuação coletiva de novos acordos de manejo do peixe — recurso central e cada vez mais escasso — e do caraná, palmeira usada para cobrir as malocas, onde saberes e práticas ancestrais para o manejo do mundo são abrigados e transmitidos entre gerações.
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Representantes da DIAWII/FOIRN, ATRIART e COITERTI assinaram novos acordos de manejo do peixe e do caraná|Mauro Pedrosa/ISA
Os acordos fazem parte de um plano traçado na Canoita do ano passado, onde estão previstas ações focadas em conhecimentos ancestrais e manejo ambiental, direitos das mulheres, gestão do lixo e comunicação. À frente dessa articulação estão a ATRIART (Associação das Tribos Indígenas do Alto Rio Tiquié) e o COITERTI (Consejo Indígena del Territorio del río Tiquié), com apoio do ISA (Instituto Socioambiental) e da Fundación Gaia Amazonas.
Como preparação e consulta às comunidades sobre os acordos, uma oficina em novembro de 2024 em Cachoeira Comprida, do lado brasileiro do Rio Tiquié, elaborou temas e propostas sobre formas de manejo da piracema, dos lugares sagrados, do uso timbó, do lixo e das artes e técnicas de pesca.
Mediada pelas lideranças tuyuka José Ramos, de São Pedro, e Jorge Lima, de Bellavista de Abyú, a Canoita contou com momentos de contextualização e histórico da iniciativa, grupos de trabalho organizados por trechos de rio e associações, plenárias e debates feitos sobretudo em Tuyuka e Tukano com traduções resumidas em português e espanhol.
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Outros encontros estão previstos para 2025 e vão ser protagonizados por mulheres e conhecedores tradicionais da região|Mauro Pedrosa/ISA
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A Canoita reuniu 120 participantes de diferentes gerações para discutir manejo na região|Danilo Parra/ISA
Embora o foco principal tenha sido a pactuação e compromisso com os acordos de manejo ambiental de peixes e caraná, a troca de experiências foi um dos marcos do encontro. Pelo lado brasileiro, foram rememoradas as iniciativas realizadas pelos agentes indígenas de manejo ambiental (AIMAs), escolas e movimento indígena viabilizadas principalmente por meio de projetos socioambientais nos últimos 20 anos.
Já do lado colombiano, ganharam destaque as experiências das AATIs (Associações de Autoridades Tradicionais Indígenas), que atuam como formas próprias e autônomas de governo, além das iniciativas voltadas à valorização e articulação dos sistemas tradicionais de conhecimento.
Resumidamente, os acordos definem os locais onde deve se restringir ou proibir a pesca sistematizados em um mapa[MOU1]. Também, indicam práticas de conhecimento indígena que devem ser procuradas, orientam como respeitar a piracema, como utilizar o timbó e quais são as formas que técnicas não tradicionais, como malhadeiras, devem ser empregadas para que não sejam predatórias nem agravem a escassez de peixe em uma região com poucos peixes.
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Mapa de trabalho para manejo de pesca e caraná. Fonte: Fundación Gaia Amazonas
Em relação ao caraná, cujas folhas são tradicionalmente utilizadas como cobertura das casas e das malocas, os acordos estabelecem formas de uso que garantam a regeneração dessa palmeira e respeitem o manejo tradicional realizado pelas gerações anteriores. Outro ponto abordado foi o compromisso com a construção de estratégias para lidar com os resíduos sólidos, como pilhas, baterias e plásticos, que têm se tornado presença crescente nos territórios.
As pilhas e baterias ganharam destaque nas discussões. Conforme aumenta o consumo de eletrônicos e a conscientização em relação ao descarte adequado desse tipo de resíduo, aumenta também seu acúmulo em tambores e carotes, o que tem criado um enorme desafio legal e logístico nas terras indígenas do Rio Negro. De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, fabricantes de pilhas e baterias deveriam ser “... obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa…” (Lei 12.305 Art 33) , o que ainda não acontece no Alto Rio Negro.
Para que os acordos não se tornem apenas mais um documento entre tantos, os participantes ressaltaram a importância de sua implementação cotidiana, enraizada nas práticas vividas e compartilhadas pelas comunidades, famílias e escolas.
Com ampla experiência de mobilização, interlocução com burocracias não indígenas e construção de instrumentos próprios de planejamento — como os Planos de Vida, na Colômbia, e os Planos de Gestão Territorial e Ambiental, no Brasil —, as comunidades de ambos os lados da fronteira destacaram que a efetividade dos acordos depende da valorização contínua das boas práticas de manejo tradicional e do envolvimento direto das pessoas que habitam e cuidam do território.
Afinal, não se trata de realizar uma vigilância e punição ativa de quem não respeitar os acordos. Conforme colocado, sob forma de provocação bem humorada da liderança Raimundo Tenório, ninguém vai querer ser o vigia do rio enquanto a comunidade está em festa. Mas, as comunidades indicarão pessoas de referência que registrarão os pontos que serão avaliados periodicamente pelas comunidades e organizações indígenas e parceiras.
Seguindo a rota traçada com a retomada das Canoitas no ano passado, dois novos encontros já estão previstos para o segundo semestre de 2025. Com diretrizes temáticas definidas, serão protagonizados por coletivos de mulheres e conhecedores tradicionais das comunidades do Tiquié, e terão como foco os direitos e os papéis das mulheres, além da proteção dos sítios sagrados. Assim continua a jornada da peri yokosorogã — a pequena canoa, em tuyuka — navegando por essas águas e paisagens cuidadas, há milênios, por quem delas faz morada e conhecimento.
*Esta reportagem foi produzida com apoio da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD)
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Escola indígena do Cantá constrói viveiro de mudas em parceria com Rede de Sementes de Roraima
Atividade alusiva ao Dia Internacional do Meio Ambiente contou com cerca de 350 estudantes envolvidos em seminários, construção de brinquedos e desfile de moda
A Escola Estadual Ednilson Lima Cavalcante, localizada na Terra Indígena Tabalascada, no município de Cantá, construiu o seu primeiro viveiro de mudas em uma atividade alusiva ao Dia Internacional do Meio Ambiente, 5 de junho.
Para inaugurar as novas instalações, os alunos semearam espécies estratégicas para a comunidade:
- Taperebá, que deve gerar frutos comumente usados para sucos;
- Pau-rainha, madeira nobre para construções;
- Ipê branco e tento para ornamentação, produção de artesanatos e utilizadas também em construções;
- Jenipapo e urucum, para as pinturas típicas dos indígenas;
- Piritó, usado na fabricação de arcos.
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Espécies como Taperebá, Pau-rainha, Ipê branco, Jenipapo, Urucum e Piritó foram semeadas na atividade|Fabrício Araújo/ISA
As sementes plantadas foram doadas pela Rede de Sementes da Serra da Lua, que trabalha em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA) em Roraima. O objetivo é cuidar e transplantar as mudas em setembro, em atividade sobre o Dia da Árvore.
“Estamos cansados de ouvir que precisa ter desenvolvimento e progresso sem pensar no meio ambiente, na necessidade de plantar e reflorestar. É um dia importante para explicar isto a quem está crescendo aqui e pode observar como o meio ambiente melhora a nossa qualidade de vida”, disse Cesar da Silva, tuxaua da Tabalascada.
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Para Emerson Cadete, o evento estimula a reflexão dos alunos sobre seu entorno e os aproxima dos frutos que a biodiversidade pode dar|Fabrício Araújo/ISA
“Acredito que para os alunos essa atividade foi muito importante para refletirem sobre o meio ambiente, a sustentabilidade e a biodiversidade que está ao redor deles. Proporcionar a estruturação do viveiro e fazê-los entender que eles são os donos de algo que vai dar frutos para a escola e comunidade”, refletiu Emerson Cadete, analista do ISA responsável pela Rede de Sementes em Roraima.
Além dos estudantes da Escola Estadual Ednilson Lima Cavalcante, estiveram presentes alunos da Escola Estadual Indígena Antonio Domingos Malaquias, da Escola Municipal Indígena Vovó Maria Madalena Ambrósio e da Escola Municipal São Domingos.
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Cerca de 350 estudantes participaram das atividades. As mudas serão cuidadas e transplantadas em comemoração ao Dia da Árvore, em setembro|Fabrício Araújo/ISA
Cerca de 350 estudantes participaram das atividades que envolveram, ainda, a apresentação de seminários, brinquedos feitos a partir de materiais recicláveis, um desfile de moda com itens sustentáveis, dança parixara e apresentação teatral do grupo Malokombia.
Sobre a Rede de Sementes
Em fase de estruturação no lavrado de Roraima, a Rede de Sementes da Serra da Lua - RESSEL se programa para ter a sua primeira muvuca até o final do primeiro semestre de 2025. A rede de coletores é composta por indígenas da região da Serra da Lua.
O grupo integra o Redário, articulação que reúne 27 redes de coletores de sementes nativas para a restauração ecológica no Brasil.
Quinze mulheres Yanomami e Ye’kwana que atuam como Agente Indígena de Saúde (AIS) na Terra Indígena Yanomami participaram, na última semana de maio, de uma formação em cuidados relacionados ao câncer de colo de útero em mulheres. A ação faz parte de um planejamento de estruturação da saúde para mulheres da maior Terra Indígena do Brasil.
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A formação sobre cuidados relacionado ao câncer de colo de útero durou uma semana em Boa Vista|Fabrício Araújo/ISA
As participantes vivem e atuam nas regiões de Auaris, Waikás, Kutadanha, Maturacá, Inambu e Nazaré. Entre elas, estava Jucelia Magalhães Rocha, jovem Ye’kwana de Fuduuwaaduinha.
“Eu vou chamar a comunidade toda, passar de casa em casa e fazer um roteiro no malocão para explicar como prevenir o câncer de colo de útero”, contou. Agente de saúde há quase três anos, Jucelia já perdeu duas parentes para a doença, incluindo sua tataravó. Este foi seu primeiro treinamento específico sobre o tema.
A formação foi promovida pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Distrito Especial de Saúde Indígena Yanomami (DSEI-Y), com apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) e do Instituto Socioambiental (ISA).
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Jucelia Magalhães Rocha, jovem Ye’kwana de Fuduuwaaduinha, participou da formação pela primeira vez|Fabrício Araújo/ISA
Paralelamente, médicas, enfermeiras e técnicas do DSEI-Y também passaram por capacitação, com foco em abordagens ginecológicas adequadas às especificidades das mulheres indígenas.
“A pauta pela reestruturação da saúde da mulher vem sendo reivindicada historicamente pelas mulheres Yanomami e Ye’kwana e por isso integrantes do Dsei, da Unifesp/Projeto Xingu, UFMG, ISA e Hutukara se reúnem há pelo menos dois anos para pensar uma rede de atores em colaboração, para atender as reivindicações das mulheres Yanomami”, explica Manuela Sturlini, analista do ISA.
Marilene Gama da Silva, de Maturacá, trabalha como AIS há uma década. Habituada a atender outras mulheres indígenas, ela afirma que nunca precisou lidar com um caso de câncer de colo de útero, mas o treinamento vai ajudá-la a manter as parentes atentas aos cuidados para prevenir a doença.
“Tem sido muito importante e precisa dar continuidade para aprendermos e tirarmos dúvidas. Espero que aconteça mais vezes em outras regiões para ensinar como podemos trabalhar nas comunidades”, contou.
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Marilene Gama da Silva nunca precisou lidar com essa doença em seu território, mas viu valor nas conversas para prevenção desse tipo de câncer|Fabrício Araújo/ISA
Marilene planeja fazer uma palestra ao retornar para Maturacá a fim de multiplicar as pessoas com informações sobre a prevenção do câncer do colo de útero em sua região.
Para Mariana Queiroz, coordenadora técnica do projeto “Construção da Linha de Cuidado do Câncer do Colo do Útero no DSEI Yanomami e Ye'kwana", é necessário construir estratégias que visem todas as etapas para prevenção da doença: rastreamento, diagnóstico e tratamento das lesões precursoras do câncer.
“Este projeto visa fortalecer a saúde das mulheres e combater um grave problema de saúde que é o câncer de colo de útero. Na região Norte, o CCU é o que mais mata mulheres, esses dados apontam as fragilidades no cuidado ofertado às mulheres desta região”, explicou.
Os processos descritos por Mariana fazem parte de um conjunto de ações que serão desenvolvidas ao longo de três anos. Como parte final da oficina, as Yanomami e Ye’kwana produziram uma cartilha informativa sobre saúde da mulher.
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Cine Japu abre temporada no Rio Negro com o filme ‘Mensageiras da Amazônia’
Produção do coletivo Munduruku Daje Kapap Eypi mostra como jovens usam drones e celulares para denunciar invasões em seus territórios
O Cine Japu está de volta! Na noite desta terça-feira (03/06), a exibição do documentário Mensageiras da Amazônia, produção do coletivo de audiovisual Munduruku Daje Kapap Eypi, marcou a abertura da temporada 2025 do cineclube em São Gabriel da Cachoeira (AM), reunindo comunicadores, lideranças jovens e convidados.
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Documentário conta como jovens Munduruku usam drones e celulares para resistir às invasões no território|Vanessa Fernandes/ISA
O Cine Japu é uma iniciativa do Instituto Socioambiental (ISA), em parceria com a Rede Wayuri, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), o Departamento de Mulheres (Dmirn) e o Departamento de Adolescentes e Jovens do Rio Negro (Dajrn).
O filme escolhido compõe o acervo Ecofalante Play, da Mostra Ecofalante, e conta como três jovens da Terra Indígena Sawré Muybu, no sudoeste do Pará, usam drones e celulares para denunciar invasões em seus territórios e fortalecer a luta em defesa da floresta.
Assista ao trailer:
Após a exibição, a roda de conversa, mediada pela comunicadora indígena do povo Baniwa, Nayra Sthefany, teve a participação de Claudia Ferraz, do povo Wanano, coordenadora da Rede Wayuri, e Jucimery Garcia, do povo Tariano, coordenadora do Dajrn. Elas refletiram sobre o papel da juventude na defesa dos territórios e a força da comunicação indígena como ferramenta de luta e resistência. Para Claudinha, o filme trouxe reflexões importantes sobre como a juventude tem atuado para proteger o território e a importância de mostrar, também pelas redes, o cuidado com as florestas e os rios, e a importância da demarcação das terras indígenas.
Ela destacou que produções como essa precisam circular nas escolas e nas comunidades, como forma de fortalecer a consciência dos mais jovens sobre o futuro dos territórios. “Isso demonstra a importância do papel da Rede Wayuri aqui no nosso território, de mostrar a realidade das nossas comunidades e de como nós mesmos somos os cuidadores do nosso Rio Negro”, afirmou.
Para Jucimery, a exibição do documentário vai de encontro ao trabalho que já vem sendo feito com a juventude no Rio Negro, com a realização de rodas de conversa e formações. Segundo ela, embora ainda não sofram diretamente os impactos do agronegócio e do mercúrio, como em outros territórios, é preciso preparar os jovens para que possam seguir com as lutas das lideranças mais velhas.
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Conversa após a exibição teve participação de Jucimery Garcia e Claudia Wanano e mediação de Nayra Sthefany|Vanessa Fernandes/ISA
“Por aqui, ainda estamos protegidos, porque também sempre tivemos nossas lideranças lutando pela gente. É preciso que os jovens continuem com esse trabalho, para garantir nossos territórios para nossos filhos, para os nossos netos”, disse ela, completando que o filme traz uma mensagem de “parente para parente”.
Circuito Tela Verde
O Cine Japu é um dos 615 espaços selecionados para a 14ª edição do Circuito Tela Verde (CTV), que contará com a exibição de obras que abordam temas relacionados aos povos e comunidades tradicionais, educação ambiental, biodiversidade, meio ambiente, direitos humanos, racismo ambiental, entre outros, no âmbito da Mostra Nacional de Produção Audiovisual Independente, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
Iniciado em 2023, o Cine Japu segue como um espaço de troca, formação e fortalecimento das narrativas indígenas por meio do cinema e da comunicação comunitária. As sessões são gratuitas e acontecem quinzenalmente na Sala Dagoberto Azevedo, no Telecentro do ISA, localizado na rua Projetada, nº 70 - Centro.
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Rede Wayuri promove debate sobre uso da internet em comunidades indígenas
Workshop no FIB 2025, em Salvador (BA), discutiu desafios e caminhos para garantir conectividade nos territórios indígenas a partir das vozes e experiências do Rio Negro
Nesta quinta-feira (29/05), a Rede Wayuri promoveu o workshop Teias de Conexão: Retrato da Conectividade nas Comunidades Indígenas durante a 15ª edição do Fórum da Internet no Brasil (FIB), realizado em Salvador (BA). Promovido pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), o evento reuniu sociedade civil, governo, comunidade acadêmica e tecnológica e o setor empresarial para discutir a internet no Brasil.
A mesa foi composta por André Fernando Baniwa, escritor e assessor técnico de Medicinas da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI); Edson Gomes Baré, liderança do povo Baré e diretor da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn); Alberto Fernandes, técnico de informática e telecomunicações; e Nicole Grell, doutoranda em Relações Internacionais e pesquisadora do projeto ProIndL, do Center for Artificial Intelligence da USP. A mediação ficou por conta de Ray Baniwa, comunicador da Rede Wayuri e doutorando em Comunicação e Cultura pela UFRJ.
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A mesa discutiu os impactos da conectividade nas comunidades indígenas, tendo como recorte região do Médio e Alto Rio Negro|Arquivo pessoal/Nicole Grall
A proposta partiu do entendimento do acesso à internet como um direito humano fundamental e uma ferramenta estratégica para a promoção da autonomia, preservação cultural, segurança e gestão territorial. O evento proporcionou o diálogo sobre os impactos da conectividade nas comunidades indígenas, tendo como recorte região do Médio e Alto Rio Negro - que abrange os municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira - a partir das experiências com a implementação do projeto de inclusão digital promovido pela Foirn.
Os primeiros pontos de internet banda larga chegaram às comunidades da região há cerca de 10 anos, por meio do programa Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão (Gesac), do Governo Federal. Edson Baré relembrou que, antes disso, a radiofonia era a principal ferramenta de comunicação entre as mais de 750 comunidades distribuídas ao longo de mais de 13 milhões de hectares. A conexão à internet via satélite, segundo ele, trouxe avanços significativos nas áreas da saúde, educação e segurança.
“A gente percebeu que a chegada da internet colaborou muito com as escolas e com a saúde indígena. Na época, aproveitamos os pontos do Gesac para também fazer nossas atividades institucionais, reunir com lideranças, e vimos que facilitava. Foi um avanço bastante relevante, pois conseguimos dialogar para o controle de problemas que tínhamos nas comunidades. Antes, nossa comunicação era por recado, depois chegou a radiofonia. A remoção de pacientes muitas vezes levava dias. Com a internet, agilizou o processo. A comunicação nessa parte é bastante importante para nós, e estamos estudando como expandir e manter esses equipamentos em funcionamento”, destacou Edson.
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Da esquerda pra direita: Nicole Grell, Alberto Fernandes, Edson Baré, Ray Baniwa e André Baniwa na tela|Arquivo pessoal/Nicole Grall
O diretor da Foirn chamou atenção para a responsabilidade assumida pelo movimento indígena diante da ausência de políticas públicas efetivas do Estado para a região. Por falta de manutenção, a maioria dos pontos do Gesac deixou de funcionar, e a atuação da Foirn com a implementação das antenas Starlink, há cerca de três anos, foi a alternativa encontrada para preencher esse gargalo. “Na ausência do Estado, nós tomamos a frente. Não é nosso papel, nós somos controle social. Mas quando não há políticas, assumimos esse papel com o apoio dos nossos parceiros”.
Foram mais de 200 pontos de internet instalados na região, em um projeto marcado por inúmeros desafios, não apenas logísticos, mas também financeiros. O alto custo das antenas e das mensalidades está entre os obstáculos enfrentados em um território extenso e de difícil acesso, agravado tanto pela dependência de captação de recursos externos quanto pela ausência de políticas públicas que viabilizem o acesso a tecnologias de operadoras de satélite de baixa órbita nacionais, por exemplo, a custo menores.
“A questão dos dados e da nossa segurança com relação ao uso da Starlink também são preocupações que discutimos, mas fazemos o possível com as soluções que estão ao nosso alcance diante de uma necessidade urgente”, afirmou Edson.
O diretor finalizou sua fala reforçando que as políticas e implementações de inclusão digital, assim como seus benefícios, desafios e impactos, precisam ser discutidas pelos e com os povos indígenas, a partir de suas realidades e modos de vida. “É importante esse olhar para os povos tradicionais, especialmente para nós que estamos no Norte e sempre somos deixados de fora”.
Responsável pela instalação das antenas, Alberto apresentou uma perspectiva técnica do processo e os desafios logísticos em uma região sem estradas, onde a única forma de acesso às comunidades é pelos rios.
Nos trechos de cachoeira, explica o técnico, é necessário descarregar o bote e fazer a travessia carregando a embarcação por terra ou puxando pelas pedras, dependendo do nível do rio e da época do ano. O ritual de descarregar o bote, atravessar as corredeiras e recarregar novamente pode se repetir várias vezes, conforme a localidade de destino. “É uma logística que pode levar quatro, cinco dias, o que aumenta muito o custo”, disse ele.
O processo de instalação e testagem dos equipamentos, segundo Alberto, envolveu os membros das comunidades, como forma de capacitá-los não apenas para o uso, mas também para a manutenção básica dos aparelhos. “Sabemos que a internet pode trazer coisas boas e ruins, por isso é preciso mostrar os dois lados e capacitá-los para que se protejam. Então não é só chegar, instalar e voltar, como já foi feito no passado”.
Conectividade com protagonismo comunitário
Durante sua participação, André Baniwa destacou o papel estratégico da conectividade no fortalecimento dos saberes tradicionais e na promoção de uma educação intercultural e intercientífica no Rio Negro. Para ele, a internet pode ser aliada na valorização da medicina tradicional e no diálogo entre os conhecimentos indígenas e outras formas de ciência.
Ele contextualizou esse momento como parte de um processo de “reconstrução do bem viver indígena”, iniciado com a Constituição de 1988, que garantiu direitos fundamentais aos povos originários e abriu caminho para a retomada de suas línguas, crenças e práticas. “Depois de séculos de violações, é a partir desses direitos que os povos indígenas estão reconstruindo seus projetos de vida com autonomia”, afirmou.
André compartilhou a experiência da Escola Baniwa e Koripako, no Alto Rio Negro, onde estudantes realizam pesquisas na internet para aprofundar os conhecimentos sobre plantas medicinais mencionadas por pajés e sabedores da comunidade. Ao cruzarem os nomes tradicionais com os científicos, produzem materiais sistematizados que fortalecem a medicina tradicional com o apoio das tecnologias digitais. “Estamos construindo formas de ensinar e aprender que respeitam nosso jeito de viver e pensar o mundo”, completou.
Ele também defendeu a necessidade de políticas públicas que considerem as especificidades culturais dos povos e reforçou que a conectividade, para ser uma ferramenta de transformação, deve ser pensada a partir dos territórios e com a participação ativa das comunidades. Ao final, destacou que o desenvolvimento sustentável e inclusivo passa necessariamente pelo reconhecimento e protagonismo dos povos tradicionais.
Tecnologia e saberes tradicionais
A partir de uma perspectiva acadêmica, a pesquisadora Nicole Grell trouxe reflexões sobre os desafios e oportunidades no uso da tecnologia em contextos indígenas, com base em sua atuação no projeto de Fortalecimento das Línguas Indígenas Brasileiras com IA.
Nicole destacou que, mesmo em comunidades onde a língua indígena ainda é predominante no cotidiano, o contato com a internet tem gerado impactos importantes. “O que a gente percebeu em diversas aldeias foi que, mesmo onde a língua indígena ainda é a língua materna, na hora de escrever no WhatsApp ou nas redes sociais, a língua que prevalece é o português”. Para ela, isso pode representar um risco à continuidade da própria língua, especialmente entre os jovens.
Diante de uma demanda que já se apresentava para a tradução de documentos, como a tradução da Constituição Federal para o Nheengatu, realizada pela Academia Nheengatu de Letras, o projeto iniciou uma articulação com a Foirn, com base em uma consulta prévia, livre e informada, para entender se havia interesse das comunidades no desenvolvimento da tecnologia.
O projeto no Rio Negro está em desenvolvimento junto às comunidades Baré, cuja língua original foi extinta e absorveu o Nheengatu. O objetivo da Foirn é implementar a tecnologia de escrita em cerca de 200 escolas, nas três línguas cooficiais da região: Nheengatu, Baniwa e Tukano.
Ao encerrar, Nicole ressaltou que tratar de línguas indígenas no Brasil envolve também o reconhecimento de contextos sagrados e históricos de resistência.
Línguas indígenas e os desafios digitais
Ray Baniwa, integrante da Rede desde sua criação, reforçou a importância da comunicação feita “por nós e para nós” como instrumento de fortalecimento político, cultural e social. “Ao propor o workshop Teias de Conexão, nós buscamos promover um espaço de escuta, troca de experiências e construção coletiva de reflexões sobre os caminhos da conectividade nos territórios indígenas, a partir dos nossos próprios territórios”, disse.
Para ele, a mesa demonstrou, na prática, o valor de uma discussão conduzida a partir deste lugar. Tanto a iniciativa da Rede quanto a de tantos outros coletivos e organizações da sociedade civil que abordaram a temática de conectividade, territórios e meio ambiente no FIB15, servem como exemplo para o Estado de como o uso das tecnologias e o acesso à internet já vêm sendo debatidos com qualificação dentro dos territórios, com suas próprias demandas e soluções, conforme cada realidade.
O anúncio feito pelo Ministério das Comunicações no primeiro dia do evento, por exemplo, sobre o desenvolvimento do Plano Nacional de Inclusão Digital, foi alvo de críticas por setores da sociedade civil presentes exatamente por ser anunciado com desmobilização de sua estrutura inicial, com redução de seis para dois grupos de trabalho temáticos. Além disso, os dados que fundamentam a construção do plano são considerados defasados, levantando questionamentos sobre sua capacidade de contemplar a diversidade de contextos e as grandes extensões das várias Amazônias e dos vários Brasis dentro de um país com extensões continentais.
Como garantir a participação social de públicos historicamente invisibilizados em 90 dias, prorrogáveis por mais 90? Pisar nesses mesmos chãos, ouvir quem neles vive e garantir que a inclusão digital seja também inclusão política, cultural e social, com respeito, autonomia e soberania popular, deve ser o grande compromisso do Estado na construção de políticas públicas de conectividade efetivas.
Protesto
Ao encerrar a mesa, Edson Baré chamou atenção para os constantes projetos que atacam os direitos indígenas e o meio ambiente, como o PL da destruição, o marco temporal e a desestruturação do processo de demarcação de Terras Indígenas. “Nós vamos nos levantar, nós não vamos ver sentados o que eles estão fazendo. Dizemos a todos vocês: não ao marco temporal e demarcação já!”.
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Floresta no Centro oferece oficina de arte indígena na Virada Cultural 2025, em SP
Gratuita, atividade será conduzida por Elizângela Baré e tem contribuição voluntária em apoio a crianças com câncer
O espaço Floresta no Centro, do Instituto Socioambiental (ISA), participa neste sábado (24/05) da Virada Solidária da Galeria Metrópole — uma programação especial dentro da Virada Cultural 2025 que reúne ações culturais com propósito social — com duas oficinas de arte tradicional das mulheres Baré, conduzidas por Elizângela Baré.
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Oficina acontece em dois horários|Divulgação
Nascida na Terra Indígena Cue-cue Marabitanas, no Alto Rio Negro, Elizângela Baré é uma mulher indígena, artesã, agricultora, mãe, professora, liderança, falante da língua nheengatu e pesquisadora indígena. Atualmente, ela faz Doutorado em Saúde Pública na Universidade de São Paulo (USP).
As atividades acontecem em dois horários — às 10h e às 14h — e oferecem ao público a oportunidade de conhecer elementos tradicionais da cultura Baré, como os fios de tucum e as sementes nativas. Serão produzidos colares, brincos e pulseiras, enquanto se compartilham os significados culturais e os modos de confecção de cada peça.
A participação é por ordem de chegada, sujeita à lotação, sem necessidade de inscrição ou compra prévia de materiais. Será sugerida uma contribuição simbólica, destinada à Organização Beabá, que apoia crianças em tratamento contra o câncer.
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Elizângela Baré é agricultora, mãe, professora, liderança, falante da língua nheengatu e pesquisadora indígena|Juliana Radler / ISA
O ano de 2025 marca a 20º edição da Virada Cultural, um evento que situa a cidade de São Paulo em seu âmbito multicultural. Com o tema "20 anos em 24 horas", a Secretaria Municipal de Cultura remete aos primeiros anos do evento, ao mesmo tempo que expressa uma continuidade da iniciativa, oferecendo uma ampla gama de atrações.
Vale lembrar que durante a Virada Cultural o transporte público funciona de forma ininterrupta, facilitando o acesso popular às atividades.
Oficina:
Local: Espaço Floresta no Centro – Loja 28, 2º andar da Galeria Metrópole, Avenida São Luis, 187, São Paulo/SP. Data: 24/05/2025 Horários: 10h00 e 14h
Evento Presencial | Colaboração voluntária
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