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NOME E POPULAÇÃO   


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NOME E POPULAÇÃO

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O nome "Araweté", inventado por um sertanista da Funai, não significa nada na língua do grupo. O único termo que poderia ser considerado uma auto-denominação é bïde, que significa "nós", "a gente", "os seres humanos". Todos os humanos são bïde, mas os humanos por excelência são os Araweté: os outros povos indígenas e os 'brancos' (kamarã) são awî, "estrangeiros" ou "inimigos".

A população imediatamente anterior ao contato era de pelo menos 200 pessoas. Devido às condições em que o 'contato' com a Funai se realizou, a mortalidade causada por epidemias e desnutrição levou o grupo ao mínimo de 120 pessoas, em 1977. Em setembro de 1992 a população chegou a 206, alcançando assim o efetivo da época pré-contato. Em razão do relativo isolamento em que vivem (mais do que à assistência dos órgãos públicos competentes), não tiveram grandes baixas demográficas devido a doenças estrangeiras até o segundo semestre de 2000, quando a população foi acometida por um surto de varicela (doença virótica popularmente conhecida como catapora). Nesse ano, dados da Funasa registravam 278 índios, dos quais pelo menos 218 foram acometidos pela epidemia, resultando em nove óbitos. Segundo depoimento de Tarcício Feitosa (membro do CIMI - Conselho Indigenista Missionário) ao ISA na época, a morosidade do DSEI (Distrito Sanitário Indígena) de Altamira em tomar as devidas providências facilitou o impacto da epidemia sobre a população (mais informações sobre este caso estão no item "Os Araweté hoje").

Desde então, a população retomou seu crescimento e em maio de 2003, segundo dados da Funai, contava 293 pessoas, sendo três recém-nascidos. A seguir, uma lista dos dados censitários disponíveis sobre os Araweté desde o contato oficial:

  • Dia 27.07.76: 27 pessoas chegam ao Posto da Funai no Ipixuna (inf. Lisbôa, 1992)
  • Diário João Evangelista de Carvalho 04.09.76: 44 pessoas na aldeia próxima ao Posto
  • Censo JEC de março 1977 (Müller et al., 1979: 24): 120 pessoas
  • Censo JEC de "meados de 1977" (Arnaud, 1978: 10-11): 119 pessoas (59h/60m)
  • Censo JEC de 11.05.77: 129 pessoas (61h/ 58m)
  • Censo JEC de 17.06.77: 120 pessoas (62h/58m)
  • Censo JEC de 11.10.77: 117 pessoas
  • Censo Funai de 14.03.78: 121 pessoas
  • Censo Funai de julho de 1978 (Müller op.cit.: 25): 122
  • Censo Müller de meados de 1979 (op.cit.: 28): 133 pessoas (71h/62m)
  • Censo Funai de 02.01.80: 136 pessoas (66 h/70 m)
  • Censo Funai de 25.04.80: 138 pessoas (66 h/72 m)
  • Censo EVC de junho de 1981: 130 pessoas (62h/68m)
  • Censo EVC de abril de 1982: 136 pessoas (63h/73m)
  • Censo EVC de fevereiro de 1983: 136 pessoas (64h/72m)
  • Censo Funai de 19.12.83: 139 pessoas
  • Censo Funai de dezembro de 1985: 153 pessoas
  • Censo Funai de 03.11.86: 160 pessoas
  • Censo Funai de 16.06.87: 162 pessoas (85 h/ 77 m)
  • Censo EVC de fevereiro de 1988: 168 pessoas
  • Censo Funai de 15.12.89: 181 pessoas (91 h/90 m)
  • Censo EVC de 04.04.92: 195 pessoas (92h/103m)
  • Censo Lo Curto-Funai de setembro de 1992: 205 pessoas (95h/110m)
  • Censo Funasa de novembro de 2000: 278 pessoas
  • Censo Funai de 12.05.2003: 293 pessoas


01:: foto: Eduardo Viveiros de Castro

02:: foto: Eduardo Viveiros de Castro

Eduardo Viveiros de Castro
eviveirosdecastro@gmail.com
antropólogo, professor do Museu Nacional

Maio de 2003

(dados referentes ao período posterior a 1992:
Valéria Macedo, editora da Enciclopédia dos Povos Indígenas)

 
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