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A língua araweté pertence à
grande família Tupi-Guarani. É possível
que os Araweté, como vários outros grupos
tupi da região, sejam os descendentes da tribo
dos Pacajás, objeto de intensa atividade missionária
por parte dos jesuítas durante o século
XVII. As crônicas missionárias registram
que parte desse numeroso povo resistiu à catequese,
retornando à floresta. Mas a língua araweté,
se comparada às línguas faladas por seus
vizinhos tupi-guarani mais próximos (os Asuriní
do Koatinemo, os Parakanã, os Asuriní
do Trocará, os Suruí, os Tapirapé),
todas elas bastante semelhantes entre si, mostra-se
bastante diferenciada. Isto sugere que a separação
dos Araweté foi mais antiga, ou mesmo que eles
podem ter vindo de outra região do Brasil.
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O araweté não é uma língua
simples de se aprender: sua prosódia é
fortemente nasal, o ritmo é rápido, e
há sons de difícil reprodução
pelos falantes nativos do português. A sintaxe
e a morfologia são bastante diferentes das línguas
indo-européias: há várias séries
de pronomes pessoais, há aspectos verbais sem
correspondente diretos no português… Por
outro lado, é fácil reconhecer na língua
araweté numerosas palavras que o tupi-guarani
deixou no português falado no Brasil, seja no
vocabulário comum, seja em falares regionais,
seja nos topônimos (nomes de lugares).
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A língua araweté ainda não
foi estudada por especialistas; a grafia empregada nestas
páginas não respeita integralmente o alfabeto
fonético internacional, mas procura ser consistente.
Os valores sonoros aproximados das letras são:
as vogais "a" e "i" soam como no português brasileiro
(o "e" sempre aberto); o "i" soa como
um "u" pronunciado sem arredondamento dos lábios;
o "ï" soa como no inglês "bit", mas
produzido com a ponta da língua voltada para
baixo; o "o" soa como no inglês "but"; o til indica
uma vogal nasal (todas as vogais podem ser nasalizadas;
nestas páginas, por dificuldades em codificar
a fonte, o "i" nasal será grafado como
"î"). As consoantes "p", "b", "m", "n"
soam aproximadamente como em português; o "ñ"
como o "nh" em português; o "k" como o "c" de
"casa"; o "t" como em "tudo", mesmo diante de "i"; o
"č" soa como "tch" (como o "t" de "tio", no falar
carioca); o "c" como "ts"; o "r" como em "caro", mesmo
em começo de palavra; o "d"
como o "th" do inglês "that"; o "d" como em "body",
na pronúncia americana; o "y", o "w" e o "h"
soam como no inglês "yes", "work", "home". O sinal
' entre duas vogais indica uma oclusão glotal
suave, isto é, uma pequena pausa entre os dois
sons separados por ele. A vogal tônica da maioria
das palavras é a última; apenas quando
este não é o caso, indica-se o acento
por um traço sob a vogal: assim, por exemplo,
bïde se pronuncia "bïdé", e Maï
se pronuncia "Máï".
Ainda há uma parte significativa da
população araweté que não
fala Português. E, dentre os falantes, a maioria
não possui fluência.
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