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O opirahë é
a única forma de dança praticada pelos
Araweté: uma massa compacta de homens, dispostos
em linhas, que se desloca lentamente em círculos
anti-horários, cantando. Na linha do meio, e
no meio desta, vai o cantador (marakay), que
toca um chocalho de dança para a marcação
do ritmo. O cantador começa cada canto, repetido
em uníssono pelos demais dançarinos. Após
um bloco de canções, os dançarinos
se dispersam, sentando nas esteiras à volta do
pátio da dança com suas mulheres. Passados
alguns minutos, o cantador se levanta; o grupo então
se refaz, com cada homem ocupando a mesma posição
no interior do conjunto que na etapa anterior. Cada
linha, composta de dançarinos com os braços
entrelaçados, segue praticamente colada à
linha seguinte. Nas linhas da frente seguem os mais
jovens. As mulheres podem vir-se juntar ao grupo: passam
o braço por debaixo do de seu parceiro, segurando
seu ombro e ali repousando a cabeça; elas sempre
formam no exterior do grupo, nunca ficando entre dois
homens. Uma mulher dança com seu marido, ou então
com seu apöno, seu "namorado"; nesse caso,
seu marido deve dançar com a esposa daquele homem,
no outro extremo da mesma fila.
Um opirahë pode
ser organizado por simples diversão, por um grupo
de jovens; ou pode ser parte do ciclo de danças
noturnas executadas durante a preparação
do cauim, e que tem seu clímax na noite da festa;
ele é também a forma de comemoração
da morte de uma onça ou de um inimigo. Seu modelo,
porém, é sempre o mesmo: o opirahë
é uma dança de guerra. Todos os participantes
devem portar suas armas, ou pelo menos uma flecha, carregada
verticalmente contra o peito; e os cantos de opirahë
são "música dos inimigos", canções
que falam de combates. O paradigma do cantador é
o guerreiro.
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